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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Estudo: as bactérias do intestino podem causar, prever e prevenir a artrite reumatoide


Estudo: as bactérias do intestino podem causar, prever e prevenir a artrite reumatoide

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ROCHESTER, Minn. – As bactérias no seu intestino fazem mais do que quebrar o alimento. Elas também podem prever a susceptibilidade à artrite reumatoide, sugere Veena Taneja, Ph.D., imunologista do Centro para Medicina Individualizada da Clínica Mayo. A Dra. Taneja publicou recentemente dois estudos – um na revista Genome Medicine e outro em Arthritis and Rheumatology  – conectando a microbiota intestinal à artrite reumatoide.

Mais de 1,5 milhões de americanos têm artrite reumatoide, uma doença que causa inchaço doloroso nas articulações. Os cientistas têm uma compreensão limitada dos processos que desencadeiam a doença. A Dra. Taneja e sua equipe identificaram as bactérias intestinais como uma possível causa; os seus estudos indicam que testar a microbiota específica no intestino pode ajudar os médicos a prever e prevenir o aparecimento da condição.

“Estas são excitantes descobertas que podem ser capazes de serem usadas para personalizar o tratamento para os pacientes”, afirma a Dra. Taneja.

O artigo publicado em Genome Medicine resume um estudo em pacientes com artrite reumatoide, seus familiares e um grupo de controle saudável. O estudo teve como objetivo encontrar um biomarcador – ou uma substância que indica uma doença, condição ou fenômenos – que prevê a susceptibilidade à artrite reumatoide. Eles observaram que uma abundância de certas linhagens bacterianas raras provoca um desequilíbrio microbiano encontrado em pacientes com a doença.

“Usando a tecnologia de sequenciamento genômico, fomos capazes de definir alguns micróbios intestinais que normalmente eram raros e de baixa abundância em indivíduos saudáveis, mas não em pacientes com artrite reumatoide”, relata a Dra. Taneja.

Implicações para prever e prevenir a artrite reumatoide

Depois de mais pesquisas em camundongos e, eventualmente, seres humanos, a microbiota intestinal e assinaturas metabólicas poderiam ajudar os cientistas a construir um perfil preditivo para quem é propenso a desenvolver artrite reumatoide e qual o curso da doença.

Baseados em estudos com camundongos, os pesquisadores encontraram uma associação entre o micróbio do intestino Collinsella e o fenótipo da artrite. A presença dessas bactérias pode levar a novas formas de diagnosticar pacientes e reduzir o desequilíbrio que provoca a artrite reumatoide antes ou em seus estágios iniciais, de acordo com John Davis III, MD, e Eric Matteson, MD, reumatologistas da Clínica Mayo e coautores do estudo. A continuação da investigação poderia levar a tratamentos preventivos.

Possibilidade de um tratamento mais eficaz com menos efeitos secundários

O segundo estudo, publicado em Arthritis and Rheumatology, explorou uma outra faceta das bactérias intestinais. Um grupo de camundongos suscetíveis à artrite com a bactéria Prevotella histicola, sendo comparados com um grupo que não recebeu tratamento. O estudo descobriu que os animais tratados com a bactéria tiveram diminuída a frequência dos sintomas e sua gravidade, como também tiveram menos condições inflamatórias associadas com a artrite reumatoide. O tratamento produziu poucos efeitos secundários, tais como ganho de peso e atrofia das vilosidades – uma condição que impede que o intestino absorva nutrientes –, que podem ocorrer com outros tratamentos mais tradicionais.

Enquanto que ainda não ocorreram os testes em humanos, o sistema imunológico e a artrite dos camundongos imitam os dos seres humanos e mostram promessa para efeitos positivos semelhantes. Uma vez que esta bactéria faz parte do intestino humano saudável, o tratamento é menos susceptível de apresentar efeitos colaterais, explica o coautor do estudo Joseph Murray, M. D., gastroenterologista da Clínica Mayo.

A artrite reumatoide é uma doença autoimune, que ocorre quando o corpo ataca equivocadamente a si próprio. O corpo decompõe os tecidos ao redor das articulações, causando inchaço que pode corroer ossos e deformar as articulações. A doença pode danificar outras partes do corpo, incluindo a pele, olhos, coração, pulmão e vasos sanguíneos.

O estudo foi financiado pelo Centro de Medicina Individualizada da Clínica Mayo, que apoia a investigação que visa a encontrar tratamentos compatíveis com a estrutura genética única de um paciente. O Centro também suporta a transformação das descobertas científicas em aplicações práticas para o atendimento ao paciente.

Fonte: http://newsnetwork.mayoclinic.org/discussion/study-gut-bacteria-can-cause-predict-and-prevent-rheumatoid-arthritis/

“As informações fornecidas neste site destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser um substituto para o profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. Procure sempre o aconselhamento do seu médico ou outro prestador de cuidados de saúde qualificado com qualquer dúvida que possa ter a respeito de sua condição médica. As informações contidas aqui não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença. Nunca desconsidere o conselho médico ou demore na procura por causa de algo que tenha lido em nosso site e mídias sociais da Essentia.”

Níveis saudáveis de vitamina D associados com diminuição significativa de risco de câncer entre as mulheres

Níveis saudáveis de vitamina D associados com diminuição significativa de risco de câncer entre as mulheres

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A análise agrupada recente de um estudo randomizado e estudo de coorte prospectivo determinou que as mulheres com níveis de vitamina D de pelo menos 40ng/ml foram associados com 65% menor risco de desenvolver câncer.

O câncer é altamente prevalente, afetando cerca de 40% de homens e mulheres. Em 2012, um total de 14 milhões de novos casos de câncer foram diagnosticados em todo o mundo, com 8,2 milhões de mortes relacionadas à doença. Este número continua a aumentar com estimativa para 22 milhões de casos de câncer nos próximos 20 anos.

O câncer cria um encargo financeiro significativo. Em 2010, o seu tratamento foi responsável por um total de US$ 125 bilhões somente nos EUA. Como os diagnósticos de câncer continuam a crescer, este número deverá subir para US$ 150 bilhões até o ano de 2020. Portanto, é importante para os médicos implementar medidas preventivas a fim de diminuir a carga médica e financeira das pessoas afetadas por esta doença.

A evidência atual sugere que a vitamina D [25(OH)D] é inversamente associada com vários tipos de câncer, incluindo o de próstata, pulmão e mama. Além disso, a vitamina D demonstrou exercer propriedades anticancerosas. Existem diversos mecanismos que podem ser responsáveis por estes resultados, incluindo a capacidade da vitamina D prevenir a proliferação celular, promover a morte de células programadas e diminuir a inflamação em células cancerosas.

Embora o papel da vitamina D no câncer tem sido estudado extensivamente, os pesquisadores recentemente procuraram determinar se as descobertas anteriores são replicáveis e identificar um intervalo de referência de níveis de 25(OH)D para a prevenção ideal de desenvolvimento de câncer entre as mulheres com de 55 anos ou mais.

No estudo atual, os pesquisadores utilizaram dados de duas coortes: A coorte Lappe (um estudo duplo cego randomizado e controlado) e da coorte GrassrootsHealth (uma coorte prospectiva). Ao contrário de outros estudos, estes representavam diferentes níveis medianos de vitamina D, oferecendo uma gama mais ampla de concentrações de 25(OH)D para analisar.

A coorte Lappe ocorreu em Nebraska e avaliou um total de 1.169 mulheres com idade superior a 55 anos, sem histórico de câncer. As participantes foram distribuídas aleatoriamente a um dos 3 tratamentos: cálcio (1.400mg/dia de citrato de cálcio ou 1500mg/dia de carbonato de cálcio) e vitamina D placebo; cálcio como mencionado anteriormente, mais 1000 UI/dia de vitamina D3; ou controlo (cálcio placebo e vitamina D placebo).

A coorte GrassrootsHealth, conduzida por uma organização de saúde pública sem fins lucrativos, em San Diego, CA, reuniu os níveis de vitamina D de 1.135 mulheres com idades a partir de 55 anos que voluntariamente aderiram ao estudo com o objetivo de alcançar e sustentar uma concentração sérica de 25(OH)D no nível de escolha da participante. Os níveis da vitamina foram medidos através de testes feitos em casa e questionários de saúde foram preenchidos on-line.

Os pesquisadores reuniram dados de ambos os grupos e compararam a incidência de câncer com a subsequente concentração de vitamina D ao longo de uma mediana de 3,9 anos. Todos os tipos de cânceres foram incluídos na análise, com exceção de câncer de pele não melanoma.

Será que os pesquisadores encontram uma relação entre os níveis de vitamina D e a incidência de câncer? Aqui está o que descobriram:

  • Em média, o estado de vitamina D na linha de base foi de 28ng/ml na coorte Lappe e 43ng/ml na coorte GrassrootsHealth (p < 0,0001).
  • Houve um total de 840 casos de câncer em 100.000 indivíduos na coorte combinada (1.020/100.000 casos na coorte Lappe e 722/100.000 casos na coorte GrassrootsHealth).
  • A incidência de câncer foi menor em mulheres com níveis mais altos de vitamina D.
  • No início do estudo, houve uma diminuição de 77% da taxa de incidência de câncer para aquelas com níveis maiores que 40ng/ml, em comparação com aquelas com níveis menores a 20ng/ml.
  • A maior diminuição do risco de câncer ocorreu entre 10 e 40ng/mL, com um efeito ainda mais benéfico nos níveis maiores ou iguais a 40ng/ml.
  • A 25(OH)D, quando maior que 40ng/ml, esteve associada com 67% de diminuição do risco de câncer, em comparação com aquelas com um nível de vitamina D menor que 20ng/ml, após o ajuste de vários cofatores (idade, BMI, tabagismo e suplementação de cálcio).

Os investigadores resumiram as suas conclusões como segue:
“Encontramos uma associação clara entre a concentração sérica de 25(OH)D e o risco de câncer, de acordo com vários tipos de análises. Estes resultados sugerem a importância da vitamina D para a prevenção de câncer”.

Como sempre, é importante observar as limitações do estudo: o uso de dados auto-relatados pode resultar em viés de memória e potencialmente distorcer os resultados; nem todas as variáveis puderam ser contabilizadas; a análise não teve o poder de avaliar o papel do status da vitamina D em tipos específicos de câncer; o estudo mostrou a relação entre a vitamina D e o risco de câncer especificamente entre mulheres brancas (não-hispânicas) com 55 anos ou mais, portanto, os resultados não podem ser generalizados para outras populações-alvo.

Os investigadores concluíram,
“A prevenção primária de câncer, ao invés de apenas expandir a detecção precoce ou melhorar o tratamento, será fundamental para reverter a tendência ascendente atual da incidência de câncer em todo o mundo. Esta análise sugere que um melhor nível sérico de vitamina D serve de instrumento fundamental para a prevenção”.

Fonte:http://www.vitamindcouncil.org/blog/healthy-vitamin-d-levels-associated-with-significant-decrease-in-cancer-risk-among-women/?mc_cid=afed60c28b&mc_eid=36d83b85ad

“As informações fornecidas neste site destinam-se ao conhecimento geral e não devem ser um substituto para o profissional médico ou tratamento de condições médicas específicas. Procure sempre o aconselhamento do seu médico ou outro prestador de cuidados de saúde qualificado com qualquer dúvida que possa ter a respeito de sua condição médica. As informações contidas aqui não se destinam a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir qualquer doença. Nunca desconsidere o conselho médico ou demore na procura por causa de algo que tenha lido em nosso site e mídias sociais da Essentia.

Será que o seu bioma pode engordá-lo?


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O livro de Aamodt devasta o campo dos livros de dietas – e, na verdade, toda a indústria de dietas –, com a afirmação radical que é, de fato, a perda de peso gerada por dietas que leva seu corpo a recuperar o peso perdido – querendo ou não. (Por exemplo, o metabolismo do seu corpo cai precipitadamente após a perda de peso, ou seja, você tem que comer muito, muito menos do que quando você estava fazendo dieta, para não engordar.)

O livro divisor de águas de Aamodt terá um efeito profundo sobre o grande passatempo americano de fazer dieta, dada a enorme quantidade de dados, ciência e inteligência em sua criação. Mas o que mais pode interessar as mentes científicas é a pesquisa fascinante que Aamodt fez sobre a relação entre o bioma humano, nossa colônia de trilhões de bactérias que vivem no cólon, e a perda ou ganho de peso. Como ela descreve aqui, a pesquisa não dá respostas fáceis sobre a perda de peso, demonstrando sim quão complexo (e involuntário) nosso peso realmente é.

Por que precisamos das bactérias do intestino?

O intestino humano contém dezenas de trilhões de bactérias; as nossas células são muito mais bacterianas que humanas. Apoiamos essas ‘caroneiras’ porque precisamos delas para digerir nossa própria comida. Estes bichinhos residentes se dividem em três grupos principais, chamados de bacteroidetes, firmicutes e actinobactérias, e quebram partes do nosso alimento, que de outra forma seriam desperdiçados. As bacteroidetes até mesmo produzem vitamina K, um nutriente necessário. Nossas bactérias nos ajudam a extrair muito mais energia a partir de alimentos do que as nossas enzimas digestivas podem fazer por conta própria.

Em um experimento fascinante, pesquisadores produziram “camundongos livres de germes”, sem quaisquer bactérias intestinais, e os mantiveram em uma câmara de isolamento. Estes camundongos comeram 29% mais alimentos, mas tinham 42% menos gordura corporal do que os camundongos criados normalmente. (Comer mais e pesar menos pode ser o sonho de muita gente, mas isto teria sido uma séria desvantagem em períodos em que o alimento era difícil de se obter, uma realidade durante a maior parte da história humana.)

Se os camundongos livres de germes recebiam transplante de bactérias do intestino de um animal normal – sim, isso é uma maneira educada de dizer ‘transplante de cocô’ –, eles comiam 27% menos comida, o mesmo que um camundongo normal, enquanto sua gordura corporal aumentava em 60% dentro de duas semanas. Mas quando os camundongos livres de germes eram transplantados com bactérias do intestino de um animal obeso ou uma pessoa obesa, eles ganhavam cerca de duas vezes mais peso de quando as bactérias vinham de um camundongo magro.

Como as bactérias ajudam a digestão…

Os tipos de bactérias comuns na obesidade levam ao ganho de peso, porque são especialmente eficientes em nos ajudar a obter mais energia a partir dos alimentos, ajudando a quebrar os carboidratos complexos, como a celulose, xilano e pectina. Para as pessoas que comem uma grande quantidade de frutas e legumes, aquela eficiência na digestão pode fornecer um extra de 140 a 180 calorias por dia.

As bactérias do intestino influenciam a absorção de nutrientes de várias formas: por exemplo, retardando o movimento do alimento através do intestino para permitir uma extração mais completa dos nutrientes, e através do aumento da produção de uma enzima que move a glicose a partir do intestino delgado para o sangue. Elas também suprimem uma enzima denominada lipoproteína lipase (LPL), que limita a capacidade das células gordurosas a tomar ácidos graxos e triglicerídeos do sangue; a supressão desta enzima leva a um aumento do armazenamento de gordura. Este mecanismo parece ser particularmente importante para a obesidade, quando estudado em camundongos. Os animais livres de germes ganham apenas 10% de peso em vez de 60%, se um regulador desta via é bloqueado depois de receberem o transplante de bactérias intestinais. Nossas bactérias intestinais também reduzem o uso de gordura como energia no fígado e músculos.

As bactérias intestinais são o mais novo segredo para a perda de peso? Ainda não.

Embora os pesquisadores entendam alguns dos detalhes sobre como as bactérias intestinais influenciam o peso, eles ainda não descobriram como aplicar este conhecimento. Uma possibilidade é uma espécie bacteriana chamada Akkermansia muciniphila, que evita que os camundongos ganhem peso em uma dieta de alta gordura. Um ensaio clínico desta espécie está em curso em pessoas, mas levará tempo até que uma terapia do microbioma para a obesidade esteja pronta.

A diferença fundamental entre a pesquisa animal e a terapia clínica é que os médicos não podem transplantar bactérias em pessoas livres de germes; os pesquisadores têm de lidar com as espécies que já estão presentes no intestino. Alterar o microbioma se refere mais como uma tentativa de restaurar um habitat danificado (com possíveis interações entre espécies, difícil de prever), do que usar um medicamento. Diferentes espécies de bactérias competem umas com as outras, podendo um tipo dominante não aceitar um tipo que um médico esteja tentando colocar. O número de resultados possíveis é um quebra-cabeças bem complicado.

Outro problema com a aplicação desta pesquisa é definir como seria uma população desejável de bactérias intestinais. Como um primeiro palpite, poderíamos tentar replicar o microbioma ancestral, copiando as bactérias do intestino de modernos caçadores e coletores. Há certamente algumas diferenças importantes. Caçadores-coletores têm um conjunto muito mais diversificado de espécies do que o nosso, com estimativas variando para mais de 50% ou o dobro. Mas há também alguns problemas com a ideia de replicar um microbioma. Micróbios do intestino variam entre diferentes populações em caçadores-coletores e mudam sazonalmente acompanhando a mudança das fontes de alimentos, sugerindo que provavelmente não havia um estado ancestral único. Mais importante ainda, as bactérias do intestino dessas populações são adaptadas aos seus próprios estilos de vida e podem não jogar bem com o nosso estilo moderno. As bactérias que se especializam na digestão de fibras teriam problemas para encontrar algo para comer nas vísceras de um suburbano típico.

O número das diferentes espécies bacterianas no intestino também podem ser importantes. As pessoas com um conjunto menos diversificado delas são mais propensas à obesidade e ter síndrome metabólica (hipertensão arterial, açúcar no sangue, colesterol e circunferência da cintura, que são fatores de risco para doenças cardíacas e diabetes). Na verdade, os pesquisadores podem prever se as pessoas são gordas ou magras de forma mais eficaz através de seu genoma bacteriano (90% de precisão) do que de seus próprios genes (58% de precisão).

Como os antibióticos, quando indevidamente utilizados, podem estar nos deixando mais gordos…

A diversidade das bactérias intestinais pode ser reduzida por tratamento com antibióticos, que não só mata as bactérias, mas também favorece determinadas espécies sobre as outras.

Quando os pesquisadores dão a camundongos antibióticos de baixa dosagem desde o seu nascimento, ocorre uma maior proporção de firmicutes e menos bacteroidetes (o padrão associado com a obesidade), e mais tecido adiposo é formado, em comparação com seus companheiros de ninhada que não receberam antibióticos. Quando os camundongos recebem antibióticos durante 4 semanas na infância, sua população de bactérias intestinais gradualmente volta ao normal, mas, em seguida, na adolescência desenvolvem obesidade e problemas metabólicos, incluindo o acúmulo de gordura no abdômen e no fígado. Colocando os animais tratados com antibióticos em uma dieta rica em gordura produz-se efeitos mais fortes ainda, especialmente nos machos, que são mais suscetíveis à obesidade induzida por dieta.

Uma relação semelhante pode ocorrer em pessoas. Por exemplo, entre os bebês canadenses que não receberam antibióticos em seu primeiro ano de vida, 18,2% apresentaram sobrepeso ou obesidade na idade de 12 anos. Em contraste, 32,4% dos bebês expostos a antibióticos apresentaram excesso de peso ou obesidade. Após o ajuste para possíveis fatores de confusão, como peso ao nascer e peso da mãe, a relação manteve-se estatisticamente significativa em meninos, mas não meninas. Os meninos tinham mais de cinco vezes mais chances de se tornarem obesos aos 12 se recebessem antibióticos na infância, e quase três vezes mais probabilidade de ter uma grande quantidade de gordura visceral, o tipo mais perigoso para a saúde. Da mesma forma, entre as mais de 27.000 crianças dinamarquesas nascidas de mães com peso normal, os antibióticos nos primeiros seis meses de vida previu uma chance 54% maior de sobrepeso aos 7 anos de idade. No entanto, um resultado oposto foi achado para crianças de mães com sobrepeso, que receberam antibióticos: tinham metade de chance para apresentarem sobrepeso. Isto pode sugerir que o efeito dos medicamentos pode variar, dependendo da população inicial das bactérias intestinais na criança.

Por agora, podemos tirar um par de lições a partir desta pesquisa. Os pais devem minimizar o uso de antibióticos em crianças, especialmente no primeiro ano de vida, porque as mudanças nas bactérias do intestino nessa idade podem ter consequências duradouras. Em média, uma criança nos Estados Unidos recebe de dez a vinte cursos de antibióticos antes dos 18 anos, aumentando os riscos de asma, alergias e doença inflamatória do intestino, além de obesidade e diabetes.

E também, todos nós devemos pensar duas vezes antes de culpar as pessoas por seus pesos. A composição de nossas bactérias intestinais afeta profundamente o nosso corpo, mas ninguém sabe ainda como usar este conhecimento para mudá-lo.

Fonte: http://ideas.ted.com/can-your-biome-make-you-fat/

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Extrato de mirtilo pode ajudar a combater a gengivite e reduzir o uso de antibióticos

Extrato de mirtilo pode ajudar a combater a gengivite e reduzir o uso de antibióticos

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A gengivite é uma condição comum entre os adultos, que ocorre quando bactérias formam biofilmes ou placas nos dentes, e, consequentemente, inflamam as gengivas. Alguns casos graves, chamados de periodontite, fazem uso de antibióticos. Mas agora os cientistas descobriram que o extrato de mirtilo selvagem poderia ajudar a prevenir a formação de placa dental. Seu relatório publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry poderia levar a uma nova terapia para a periodontite e uma menor necessidade de antibióticos.

Muitas pessoas tiveram algum grau de inflamação da gengiva, ou gengivite, causada pela placa bacteriana. As gengivas ficam vermelhas, inchadas e sangram facilmente. Se não for controlada, a doença pode evoluir para a periodontite. A placa endurece em forma de tártaro, e a infecção pode se espalhar abaixo da linha da gengiva e destruir o tecido de suporte dos dentes. Para tratar esta condição, dentistas raspam o tártaro e, por vezes, têm de recorrer a antibióticos convencionais. Mas, recentemente, os investigadores começaram a estudar compostos antibacterianos naturais para tratar a gengivite. Daniel Grenier e seus colegas queriam ver se os polifenóis do mirtilo, que trabalham contra os agentes patogênicos de origem alimentar, também poderiam ajudar a combater a Fusobacterium nucleatum, uma das principais espécies de bactérias associadas com a periodontite.

No laboratório, os pesquisadores testaram extratos de mirtilo selvagem (de arbustos baixos), Vaccinium angustifolium Ait., contra bactérias F. nucleatum. Os extratos ricos em polifenóis inibiram com sucesso o crescimento de F. nucleatum, bem como a sua capacidade para formar biofilmes. Eles também bloquearam um caminho molecular envolvido na inflamação, uma parte fundamental da doença gengival. Os pesquisadores dizem que, futuramente, haverá um dispositivo oral que poderá liberar lentamente o extrato após a limpeza profunda para ajudar a tratar a periodontite.


Fonte:https://www.acs.org/content/acs/en/pressroom/presspacs/2015/acs-presspac-september-2-2015/blueberry-extract-could-help-fight-gum-disease-and-reduce-antibiotic-use.html

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